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6 de Abril 2008
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 Parece que chegaram os dias a maneira para se realizarem grandes voos, foi o que aconteceu um pouco por todo o País e Mondim de Basto não fugiu a regra a confirmar-se a potencialidade da região transmontana, com grandes voos.

Com a época competitiva a aproximar-se, está na hora de começar a trabalhar a sério, em função das excelentes previsões meteorológicas para o fim de semana, marcou-se treino da Equipa de competição ”Team Asas de Basto”.

Para Domingo o dia apontava excelentes condições para distancia, e foi esta a decisão do treinador da Team (Fernando Amaral).

Confirmaram-se as previsões meteorológicas com a realização de excelentes distancias, com pilotos a chegarem a Vila Real, Vila Flor e Torre de Moncorvo.

De salientar que estes voos já estão a contar para o Premio Terras de Basto (competição on-line)

Os voos on-line em LigaXC

 

 

 

 

 
 

Comentários:

 

06-04-2008

 

As previsões iniciais (de alguns dias antes) eram excelentes, com tecto alto e vento Oeste de intensidade média, e o treino foi convocado. Com o aproximar do dia as previsões alteraram-se para vento nos limites e a possibilidade de cancelamento chegou a ser colocada. Após alguma análise adicional concluímos que poderia ser possível voar bem, descolando cedo, antes do aumento de intensidade, e que com um pouco de sorte, sempre necessária em dias com estas características, poderíamos conseguir boas distâncias. O problema de descolar cedo é que as condições estão menos consistentes e o risco de o voo terminar prematuramente é superior. Assim aconteceu. Ao cumprirmos o plano traçado, quase todos os que descolaram “marrecaram” pouco depois. Felizmente o vento (e a facilidade de recolha desde a aterragem habitual) ainda lhes permitiram uma segunda descolagem e a primeira para os retardatários, agora já com condições mais consistentes. A partir daqui o mérito é todo dos pilotos que conseguiram a excelente distância de 87 km precisando apenas de um pequeno incentivo para maximização na fase final.

 

Fernando Amaral

 

 

Boas,

Sai de casa já depois de almoço, completamente partidinho da noite de copos do dia anterior e do sábado sempre a brincar no Larouco com top.landins e top-landings. . Fui para Mondim no domingo, estava marcado treino da equipa. O Hélder já tinha descolado assim como o Daniel Folhas e o Fernando Amaral. O Daniel e o Hélder não sobreviveram e aterraram, o Fernando Amaral vingou e passou o Alvão... Foi ai que cheguei a descolagem. Meia hora para descolar, pois os ciclos eram fortes e o vento mal orientado. Tínhamos de sair no ciclo baixo para não correr riscos. O Hélder já estava pronto para descolar novamente e o Daniel tinha acabado se sair tb. A Primeira oportunidade sai, logo a seguir o Hélder e o Quim.. Tivemos ali uma fase difícil de subir, muito turbulento e era preciso apertar bem junto a encosta para subir, andamos por ali a procurar algo que fizesse subir bem..  depois de subir e descer, peguei na maquina de filmar, e embora mexido (ate deixei cair a maquina) comecei a subir bastante bem ja por cima da igreja(foi sem querer lol).. Enrolei e foi sempre certinho ate ao 2500, tendo-me encontrado com o Hélder que estava a subir noutra termica... desde ai fizemos o voo sempre juntos, já o Quim não conseguiu subir tanto, e foi tentado ir atrás de nós mas sempre muito baixo (de mérito, ele fez o voo quase sempre baixo, e tem lá zonas que é preciso tê-los no lugar para passar baixo)! Eu o Hélder fizemos o voo com algum conforto, sempre na boa, sem stress, eu achei o voo muito calmo, eles acharam mais turbulento, deve-se ao facto de eu voar uma 2 e eles uma 2/3 penso! Acima dos 2000 era tudo bastante suave. Chegamos os três acima dos 3000 metros. O pessoal de Mirandela, falou ao rádio e pensamos em ir naquela direcção ter com eles, mas para lá era uma buraco azul tremendo, e optamos ir mais na direcção de Moncorvo, as nuvens estavam mais perto e o relevo previa ser ter mais potencial... não havia termica forte, e todas as opções que eu o Hélder tomamos para encontrar termica, todas elas funcionaram na perfeição, tipo tiro e queda.. desde pedreiras, a aeródromo de terra, e a passar perto de pequenos lagos, funcionou sempre... nas transições ainda demos de cara com uma ou outra..(fiquei admirado de o Helder não me dar avanço, estando ele a voar numa niviuk peak, eu eu numa Artik Xp, soube depois que eu andava sempre de acelerador a meio, e ele sem acelerador!) O pessoal de Mirandela, já nos tinha avisado que o vento estava forte, e dava pra ver, pois andei muito tempo a mais de 70km/h, e a deriva era grande. Voei relaxado, porque naquelas alturas que havia duvidas se já dava pra passar ou não, ficávamos a zerar e a derivar ate ter mais garantias.. e assim tb esperávamos pelo Quim que vinha sempre mais baixo e pouco mais atras... antes uns 10km, tava eu e o Hélder a subir numa termica, ele uma pouco mais alto, não sei se por burrice, distração ou azar, (mas deve ser burrice) mas eu meti-me no sotavento da termica e perdi muita altura e ele continuou a subir.. Fiquei mesmo ali antes de Moncorvo por cima do rio Sabor (acho que se chama assim), as voltas a ver se ainda apanhava alguma coisa e a preparar aterragem, assustei-me ai um pouco, porque passei um pouco o rio, e depois não conseguia voltar para tras, ja estava montada uma vestosga tremenda, e não estava a ver nenhum lugar para aterrar em Moncorvo (soube depois que tinha lá um bom campo de melões). estava no rádio a ouvir o Quim a dizer-me onde era o campo de melões, e nesta fase ele aproxima-se um pouco mais alto, e enquanto falava ao rádio o vario começou a dizer alguma coisa, e fui subindo aos poucos e a derivar mesmo pra cima de Vila de Moncorvo, ate que o Quim veio para a mesma termica. O  Helder que tinha antes subido na termica que perdi, estava por cima da  Serra do Reboredo, mas alem do vento forte que se fazia, ele já não consegui subir, e derivava para uma zona complicada.. . vimos ali que o dia tinha acabado... eu e o Quim fomos por cima da encosta do reboredo (por cima das eólicas) e o Helder também veio ter connosco.. Fizemos os 3 lado a lado um pouco de dinâmico por cima das eólicas da serra do reboredo e duma crista que tem a seguir, e aterramos num campo amplo os 3 ao mesmo tempo... Aterramos completamento parados no ar tipo nave espacial, e em câmara lenta mas correu super bem.

 

Houve situações e decisões engraçadas, o Hélder sabia sempre por onde estava a passar, já eu só sabia mais ou menos por onde queria ir, quando aterrei não sabia quantos quilómetros tinha voado, tinha a sensação de ter voado muito menos km e muito menos tempo.. Fiz o meu primeiro voo em parapente a 2 anos, e ainda so tinha feito 54km em Piedrahita, e outras pequenas distancias, pelo que esta e de momento o meu recorde pessoal.gostei imenso.

Segundo o Hélder, este não era dos dias mais fáceis! Pelo que ele diz, em Mondim faz-se na certa muito mais de 100km.e ontem isso era talvez possível, mas já descolamos tarde.

Aprendi muito com este voo, mas também começam aparecer outras questões..;)

PS: o que deu mais gozo e prazer nisto tudo, foi voar em conjunto, e no final terminar em grande os 3!

Roberto Torres

 

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Uma pequena reflexão do dia.

 

Eu e o Fernando Amaral acreditamos muito no dia, teto alto, termica mais o menos e ventinho, mas dai até ao inicio de um grande voo na maioria das vezes ainda vai muita dificuldade (é a minha opinião), eu chamo o "espinho", são dias com uma janela de descolagem muito curta, sem grande margem para erros, se descolas cedo está-se muito sujeito a ir para o chão, os primeiros km são por vezes de pura sobrevivência (mas é quase sempre a minha opção), se descolas tarde, ou não sobes pois a termica já está toda partida ou varrida pelo ventinho, ou tens a sorte de sair um "canhão" que foi o que aconteceu no domingo,  mas que não é pera doce, subi mais de 500m sem enrolar e a meter acelerador, pois a ascendente queria expulsar-me para sotavento!  Pensei que o vario ia dar tilt!, mas tava-se bem.

Bem a partir dali foi um misto entre tentar chegar ao Daniel  que levava uns km de avanço e esperar pelo Joaquim que estava alguns km no nosso encalço, na entrada para a Vilariça-Torre de Moncorvo, apanhamos mais uma boa térmica, mas a dado momento o Roberto desconcentrou-se e ficou a sotavento da mesma perdendo muita altura enquanto que eu voltei a posicionar-me novamente bem alto, senti que poderia ser a ultima boa térmica do dia, e tinha agora duas opções, ou aplicar-me a sério e a correr bem poderia ainda andar mais 25/30km se continua-se naquela linha, ou virar parta Moncorvo (serra do Roboredo e ficar por ali a dar tempo para O Roberto e o Quim virem ao meu encontro, embora tivesse quase a certeza que o dia terminaria por ali optei apontar para Moncorvo onde cheguei ainda bastante alto. Apercebemos que o dia estava a terminar, e decidimos então aterrar antes da aldeia de Carviçais.

Em resumo apenas usei o acelerador para sair de algumas descendentes mais fortes, o dia daria para passar os 100km embora por vezes o vento não estar alinhado com a direcção que levávamos.

Mais que tentar bater recordes ( apenas fique a 3 km do meu recorde de distancia livre)  estava a gozar o voo na companhia do Roberto, muito nas calmas, respeitando o treino de equipa  e talvez por isso as decisões que tomamos resultaram sempre!

Aos que não fizeram tantos km continuem a tentar, também eu já fiquei muitas vezes pelo caminho e irei ficar muitas mais, mas voar é assim mesmo!

 

E voar é isto! Uma paixão, a procura da perfeição, e muita emoção!

 

"Um pequeno, para nós grande voo".

 

Bons voos,

Hélder

 

 

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Ò Hélder,

Essa do "muito nas calmas" comigo não pega:)
Então tu partes com uns km de atraso e chegas a Moncorvo ao mesmo
tempo que eu chego a Vila Flor e dizes que vieste nas calmas!

Vocês vieram foi "a dar canha" enquanto eu assegurava os tetos para
não ficar sozinho no meio do "deserto" transmontano!

É claro que to a brincar, todos sabemos que àquela hora vocês vieram
bem empurradinhos pela frente que começava a varrer tudo no seu
caminho!

A dada altura, senti que éramos 4 fugitivos à frente da onda que se
aproximava a passos largos, mas descolar muito mais cedo também não
era assim tão boa opção, e a comprová-lo estão as nossas duas 1ªs
descolagens!·
Por mim foi bom, embora concorde quando dizes que se podia ter feito
algo mais, apesar da janela de voo ser relativamente estreita, mas se
o meu avô não morresse ainda agora estava vivo!

Aos vossos relatos acrescento apenas que a ponta final do voo se
tornou complicada devido à rápida desagregação e desaparecimento dos
cúmulos para leste. Sem referências visuais e com o vento a inclinar
a deriva e a dificultar as subidas e a própria detecção das térmicas
era complicado seguir, pelo menos para mim, e naquela zona.

Um abraço ao vosso Team,
Daniel F.

 

 

 
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